GLAM/Estudos de caso/Museu de Anatomia Veterinária da Universidade de São Paulo

From Outreach Wiki
Jump to navigation Jump to search
This page is a translated version of the page GLAM/Case studies/University of São Paulo Museum of Veterinary Anatomy and the translation is 100% complete.
Other languages:
English • ‎Esperanto • ‎español • ‎français • ‎português • ‎português do Brasil • ‎العربية • ‎中文 • ‎日本語

Este é um estudo de caso redigido por Joalpe sobre uma iniciativa do Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil. Este projeto tem destaque no portal de digitalização.

Uma das imagens da iniciativa que se teve destaque na Wikipédia.

Como o projeto começou

A iniciativa GLAM com o Museu de Anatomia Veterinária da Universidade de São Paulo foi inicialmente discutida no contexto de um parceria para a realizar uma exposição no museu, chamada "Por dentro do cérebro". Estava lá como professor universitário e aproveitei a oportunidade para apresentar minhas atividades nos projetos Wikimedia (Joalpe) e o Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil do qual faço parte (especialmente Sturm e Horadrim~usurped). Como Wikimedistas, tivemos uma reunião com a direção do museu onde apresentamos o que GLAMs são e quais impactos poderíamos ter se trabalhássemos juntos na difusão do acervo do museu.

Os diretores do museu entenderam essa iniciativa como uma oportunidade para aumentar a visibilidade do acervo. Motivou-os especialmente a ideia de participar em um movimento global de museus que colabora com os projetos Wikimedia, especialmente a Commons. Também discutimos a ideia de estabelecer atividades de difusão no museu e no departamento acadêmico ao qual pertence, diretamente relacionadas ao Programa Wikipédia na Educação.

Vale notar que não há bons materiais de difusão de GLAMs em português; nossa estratégia de difusão teria sido mais eficientes se tivéssemos tido esse material disponível. Nosso grupo de usuários incluiu em seu plano estratégico de 2017-2018 a produção de recursos a serem apresentados a potenciais parceiros.

Primeiro encontro com diretores do museu, em maio de 2016

Como desenvolvemos a parceria

Aqui estão as etapas pelas quais passamos no projeto:

  1. Contexto: Na medida em que essa parceria foi a maior com um museu no contexto brasileiro -- uma iniciativa prévia foi realizada com um arquivo, em 2014 -- buscamos avaliar quanto tempo essa atividade demandaria, entendendo o que tínhamos e do que precisávamos para fazer essa iniciativa funcionar.
  2. Avaliando a oportunidade: Ao avaliar o trabalho feito anteriormente, discutimos as necessidades do museu: o melhor aspecto era que o museu já tinha fotografias de todos os objetos de seu acervo, tiradas por um professor da universidade. As fotografias eram ótimas e o fotógrafo se dispunha a que as carregássemos na Commons, desde que seu trabalho fosse adequadamente atribuído -- o que nos fez adotar a licença CC-BY-SA 4.0. Mas às imagens faltavam bons metadados, já que o museu não dispunha de inventário formal. Assim, quando negociamos a parceria, atuamos para que tivesse um desfecho positivo para o museu, baseando-se na parceria para criar o inventário.
  3. Piloto: Escolhemos quatro imagens das centenas que vamos carregar para testar nossa capacidade de carregá-las na Commons. Isso foi uma boa decisão: o piloto foi inicialmente um fracasso, principalmente porque tínhamos pouca compreensão dos procedimentos de OTRS. As imagens foram eliminadas e precisamos de mais apoio da comunidade para organizar corretamente nosso trabalho. Para resolver esse problema, pedimos ao museu que publicasse em sua página na internet um aviso em português e em inglês sobre a iniciativa e autorizasse usuários específicos para serem responsáveis pelo carregamento do material. Criamos então uma licença institucional específica (Template:MAV-FMVZ_USP-license), que incluímos em todas as imagens que carregamos.
  4. Uma das imagens melhoradas, carregada nesta colaboração.
    Encontrando apoio: A partir de meu cargo na Universidade de São Paulo, consegui obter uma pequena bolsa para um estudante apoiar essa iniciativa GLAM. Seu papel foi principalmente ajudar os diretores do museu a organizarem o inventário formal e carregar as imagens na Commons. Um inventário demanda muito tempo, então o ritmo de trabalho foi lento: conseguimos carregar 30 imagens a cada duas semanas, com cerca de 10 horas por semana de trabalho do bolsista. A produção dos metadados envolveu três tarefas principais: encontrar as espécies específicas que estão expostas no museu, digitar conteúdo disponível em cartões em papel para um banco de dados eletrônico e verificar informações com dois professores de anatomia veterinária.
  5. Dividindo o trabalho: Associada a essa iniciativa, organizamos uma editatona sobre anatomia veterinária em parceria com um dos diretores do museu. Essa atividade esteve relacionada a uma editatona sobre neurociência e matemática que organizamos, com apoio da Fundação Wikimedia. Aqui estão alguns registros:
  6. Mobilização da comunidade: Percebemos um aumento da interação da comunidade com os materiais que carregamos no contexto desse projeto e acreditamos que essa mobilização aumentou o valor dessa iniciativa:

Resultados

  • Imagens do acervo do Museu de Anatomia Veterinária foram vistas 1.329.331 vezes em setembro de 2016, de acordo com a ferramenta de contagem de visualizações GLAMorgan. Em agosto e julho, visualizações alcançaram 1.252.169 e 1.179.834, respectivamente.
  • O sucesso dessa iniciativa GLAM com o Museu de Anatomia Veterinária tornou-se uma ocasião para ampliar possibilidades de parceria para os 60 museus e coleções culturais da Universidade de São Paulo. Até agora, parcerias com o Museu da Matemática, o Museu de Geociências e o Museu de Educação e Brinquedo foram estabelecidas:
    • No Museu da Matemática, os metadados não são um problema, mas não há boas imagens. Ademais, para alguns objetos apenas faz sentido registrá-los se for em movimento. Tivemos sucesso ao pedir um apoio da WMF para equipamento de alta qualidade para produzir as imagens.
    • O maior desafio do Museu de Geociências é o tamanho do acervo: tem mais de 5.500 peças. O museu não tem nem boas fotos nem um inventário da coleção, o que nos obrigará a produzir as imagens e organizar os metadados.
    • O Museu de Educação e Brinquedo é pequeno, mas muitos dos objetos que lá estão expostos devem estar sujeitos a proteções autorais comerciais. Estamos buscando uma parceria com um advogado para entender as possibilidades dessas iniciativas GLAM.
  • Apesar de cada caso ser diferente, aprendemos muito com o GLAM do MAV, por exemplo, sobre a necessidade de termos um período em que elaboramos a rotina da atividade e sobre a ajuda que estudantes e voluntários podem oferecer.

Por que o projeto deu certo?

Houve quatro elementos-chave para o desenvolvimento da iniciativa GLAM com o Museu de Anatomia Veterinária:

  • Pude falar sobre o projeto como um "par". Tive acesso aos diretores do museu como professor universitário, não uma pessoa que chegasse neles sem credenciais que reconhecessem. À medida que a cultura wiki se expanda no campus, acredito que a necessidade de mostrar essas credenciais diminua.
  • O fato de o museu ter sido capaz de produzir o inventário formal de seu acervo em colaboração com os participantes de nossa comunidade -- algo que os diretores do museu queriam ter feito havia bastante tempo. Atuar no GLAM em algo que eles queriam fazer normalmente garantiu que não estávamos exigindo "trabalho extraordinário". Esse tipo de colaboração fez com que adotássemos um ritmo lento para a atividade, mas nossa relação com o museu manteve-se muito forte, o que nos permitiu fazer mais do que havíamos planejado, como a oportunidade de organizar uma editatona.
  • A bolsa que foi dada a um estudante da universidade que eu escolhi foi muito importante, pois o estudante foi a pessoa mais ativa no processo de construção do inventário e carregamento de imagens.
  • A participação ativa da comunidade brasileira, em especial o Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil, foi central para que as imagens fossem apropriadas rapidamente e melhoradas.

Aprendizados para projetos similares

Se fôssemos refazer essa iniciativa, recomendaríamos o seguinte:

  • Comece por entrar em contato com alguém que é ativo na Commons e pode explicar e ajudar serenamente nos procedimentos de OTRS.
  • Avalie seus recursos e necessidades. Tente encontrar soluções eficientes para suas necessidades, buscando apoio. Iniciativas GLAM são divertidas, então pessoas legais -- estudantes e voluntários da comunidade Wikimedia -- ficarão felizes em ajudar.

Trabalhando com estudantes contratados para projetos GLAM

O sucesso deste projeto foi em grande parte dependente de ter um estudante contratado para efetivamente gerar os metadados dos quais precisávamos para o projeto com apoio do pessoal do museu e especialistas da universidade. Ao trabalhar com esse estudante, consideramos ter sido importante que tivéssemos planejado o seguinte:

  • Escrever um projeto de atividades objetivo, que descreveu o trabalho a ser desempenhado ( disponível aqui );
  • Oferecer treinamento introdutório e avançado, para que o estudante entendesse -- e se motivasse sobre -- como seu trabalho estava relacionado a difundir conhecimento a públicos amplos -- e sem isso o trabalho teria sido menos interessante.
  • Desenvolver uma colaboração com equipes profissionais:
    • Integrar o estudante numa dinâmica colaborativa com um professor para desenvolver um mapa de categorias de técnicas de preservação anatômica (uma área pouco coberta nos projetos), que serviu de parâmetro conceitual para o trabalho;
    • Organizar um encontro geral com o diretor do museu em que o estudante pode apresentar suas impressões sobre como o fluxo de trabalho deveria ocorrer.
  • Criar uma tabela de controle que o estudante preencheu gradualmente, à medida que o trabalho progrediu, em que eram inseridas características de cada imagem que carregamos: se o estudante havia tido dificuldades para encontrar categorias, se havia dúvida em relação a metadados e assim por diante, para que pudéssemos atuar colaborativamente nesse documento;
  • Integrar o estudante em atividades de difusão que organizamos, como oficinas, para que o estudante pudesse atuar com o conhecimento profundo que adquiriu sobre a coleção e ensinasse as capacidades que desenvolveu no projeto.
Estratégias similares

Leitura complementar


Projetos similares e recursos